O primeiro momento do ciclo A Música e o Mundo olha para o Atlântico de um ponto de vista único: o Castelo de São Jorge. Neste concerto ao entardecer banhado pelo imaginário americano, iremos ouvir Águas da Amazônia (1993-99), uma delicada homenagem de Philip Glass aos rios do Pulmão do Mundo, encomendada pela companhia de dança Grupo Corpo, de Belo Horizonte.

Teremos igualmente o privilégio de ouvir em estreia mundial American Settings, um ciclo de canções para contratenor e quarteto de percussão de Vasco Mendonça inspirado na poesia de Tracy K. Smith e Terrance Hayes. Segundo o compositor, “hoje, mais do que nunca, a América é uma espécie de ficção vertiginosa; uma encenação de excesso, propósito e transcendência em que projetamos os nossos receios e esperanças: tornou-se numa amálgama dos nossos possíveis futuros. Estas canções são uma espécie de contemplação incrédula de alguns deles.”

Também em estreia mundial, teremos por fim Trovas in Continuum de Ângela da Ponte, uma peça para voz e percussão inspirada na obra vocal de Francisco de Lacerda, encomendada pela Associação Cultural Francisco de Lacerda à compositora. Nas palavras da compositora, esta obra “utiliza 4 canções do ciclo de canções Trovas de Francisco Lacerda cujo trabalho assenta num comentário/glosa das mesmas. Este formato de escrita, explorado por tantos outros compositores, como Boulez, Berio ou Álvaro Salazar, coloca-nos em contacto direto com a linguagem de Lacerda ao mesmo tempo que nos permite reinterpretar essa mesma linguagem em múltiplas perspetivas.”

American Settings é uma encomenda do DRUMMING GP

Trovas in Continuum é uma encomenda da Associação Cultural Francisco de Lacerda - A Música e o Mundo



21 AGO


MM01 Lisboa

Drumming GP + Stephen Diaz 


Obras de Philip Glass, Ângela da Ponte e Vasco Mendonça
Castelo de São Jorge 19h30






DRUMMING GP

O Drumming GP desafia a inovação sonora propondo espetáculos de caráter diverso, sustentados pela sua coerência estética e unidade poética que unem a música à vertente cénica e outras formas de arte, com o foco de inquietar o público e criar novos tipos de concerto, sempre com uma narrativa muito sólida. O grupo viaja da percussão erudita ao jazz, passando pela eletrónica e o rock e tentando igualmente desenvolver música de cena para teatro, ópera e bailado.


STEPHEN DIAZ

Stephen Diaz, nascido na África do Sul, estudou na Nova Zelândia com Frances Wilson, no Auckland Opera Studio, e com Morag Atchison, na Universidade de Auckland.

Até 2016, Diaz cantou, durante vários anos, para inúmeras associações musicais e apresentou-se em várias competições na Nova Zelândia. Entre estas destacam-se a participação no programa para artistas emergentes Dame Malvina (2011-2012), a obtenção do segundo lugar na competição bienal de canto lírico Lexus Song Quest e do primeiro lugar na New Zealand Aria (2012), um dos mais prestigiados concursos de canto da região da Australásia.

Em 2016, Stephen Diaz foi convidado a participar do projeto Requiem pour L., com Alain Platel e Fabrizio Cassol, em Ghent, na Bélgica, tendo integrado a digressão do espetáculo com Les Ballet C de la B até ao final de 2019.

Em novembro de 2020, apresentou-se com a Ópera da Nova Zelândia na obra Semele, de Handel, a única ópera apresentada com lotação total de público desde o início da pandemia da Covid-19. Stephen Diaz reside atualmente em Almería, Espanha, a partir de onde desenvolve os seus estudos e a sua carreira a solo na Europa.



ÂNGELA DA PONTE

Nasceu em Ponta Delgada, em 1984, e deu os primeiros passos na música aos 6 anos de idade com o violino no Conservatório Regional de Ponta Delgada.

Doutorada pela Universidade de Birmingham (Reino Unido) e Mestre em Ensino da Música pela Universidade de Aveiro, Ângela da Ponte vive atualmente no Porto desenvolvendo as atividades de compositora e docente no Conservatório Regional de Música de Vila Real e na Academia de Artes de Chaves. Em 2011 foi Jovem Compositora Residente na Casa da Música e a sua música é tocada em Portugal por agrupamentos como Remix Ensemble, Sond’Ar-te ElectricEnsemble, Perfoma Ensemble, Orquestra Jovens Músicos, grupos integrantes do Harmos Festival, entre outros. No Reino Unido com o BEAST (Birmingham ElectroAcousticStudio Theatre), França com a Orchestre National d’île de France, México (Festival Visiones Sonoras 2016), Polónia (Audiokineza), Colômbia, Espanha, E.U.A (Oregon Symphony) e Vertixe Sonora (Espanha).



VASCO MENDONÇA

A música de Vasco Mendonça tem sido executada internacionalmente por grupos como o Asko|Schoenberg Ensemble, Nieuw Ensemble, Axiom Ensemble, Remix Ensemble, International Contemporary Ensemble (ICE), Orquestra Gulbenkian, Orquestra Sinfónica Casa da Música e Drumming Ensemble.

Mendonça tem tido obras encomendadas e tocadas em importantes festivais como Festival d’Aix-en-Provence, Aldeburgh Music, Verbier Festival, Musica Nova Helsinki, Musica Strasbourg, November Music, Gaudeamus Music Week and Morelia Music Festival; e em salas como a Philharmonie de Paris, Lincoln Center, Het Concertgebouw Amsterdam, La Monnaie, Kaaitheater, Grand Theatre du Luxembourg, Elbphilharmonie, Centro Cultural Del Bosque, National Sawdust, Concertgebouw Brugge, Kölner Philharmonie, de Singel, Mousonturm Frankfurt, Casa da Música e Fundação Gulbenkian.

O seu interesse em compor para teatro tem levado a colaborações com algumas das mais destacadas companhias europeias de teatro musical, como a Music Theatre Wales, Muziektheater Transparant e LOD Muziektheater, e a trabalhar com encenadores como Katie Mitchell, Luis Miguel Cintra, Michael McCarthy ou Kris Verdonck.